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Terrorista holandesa na mesa de Oslo ratifica cadeia de mutretas das FARC e falta de plano estratégico do governo colombiano

Por Luis Alberto Villamarin Pulido

 

      Tradução: Graça Salgueiro
 
     Os fatos são irrefutáveis. Desde há três décadas as FARC, o Partido Comunista e os “movimentos sociais e políticos” com coincidência programática com os narco-terroristas, têm sido os porta-vozes da paz. Porém, não de qualquer paz nem da que desejam todos os colombianos, sem terroristas nem a perturbação de grupos armados ilegais, senão a paz de Chávez, de Correa, de Dilma, de Fidel, de Teodora e de todos os sócios de Timochenko, aqueles que a interpretam como o eventual e único governo dos comunistas armados e desarmados adeptos do socialismo do século XXI, em conseqüência com o pleno extraordinário do Partido Comunista em 1991 e o Movimento Bolivariano de Alfonso Cano.
 
 
      Nessa ordem de idéias, a Telesul se encarregou de desvelar o segredo de alcova das conversações de paz, uma vez mais manipuladas pelas FARC e seus cúmplices apadrinhadas por Chávez e Fidel, e previstas para dilatar, enganar, mentir, buscar o reconhecimento internacional do grupo terrorista como movimento político e o óbvio fortalecimento do “movimento político independente de esquerda” recentemente lançado como suposta representação popular, que no fundo é um circo de marionetes das FARC e de seu braço político.
 
      À habilidosa manobra estratégica de colocar o governo colombiano para negociar com um grupo terrorista debilitado no campo armado mas com padrinhos na arena política internacional, as FARC somaram uma ingente atividade tático-propagandística com coletivas de imprensa apoiadas pela ditadura cubana, a solicitação de ter Simón Trinidad na mesa, promessas calculadas, dilatação dos nomes dos terroristas que se sentarão para manipular as conversações a seu bel prazer, promoção de atividades de protesto em todo o país, e a venda permanente da idéia de que a Colombia necessita de paz perdoando todos os delitos e atrocidades das FARC que, além disso só deixariam as armas depois que o governo colombiano ceda a todas as suas pretensões, quer dizer, nunca.
 
     A mais recente audácia fariana é a proposta de levar a terrorista holandesa Tanja Niemeijer como assessora dos terroristas em Oslo e Havana. A embrulhada neste assunto é grande, pois esta delinqüente não é colombiana e sim européia, onde com sofismas de Chávez e Fidel montou-se a primeira intriga para passear como toureiros experientes aos despreparados negociadores oficiais que, além disso, chegam sem plano estratégico e sem agenda coerente, com a única idéia de respaldar uma farsa populista do presidente e um marco legal para a paz aprovado por um vergonhoso congresso da República, que dias antes havia aprovado a mais espúria de todas as reformas da Justiça colombiana ao longo de sua história.
 
     A presença de Tanja na Europa foi prevista por Chávez, Fidel, Timochenko e Márquez, para fazer um espetáculo midiático internacional incalculável às FARC, demonstrar que não são terroristas ao extremo de que uma poliglota holandesa se uniu a eles, “comovida pelas injustiças”, além de ser uma “combatente heróica que sobreviveu a dois bombardeios nos quais primeiro se salvou Lozada e depois caiu Jojoy”, etc., etc.
 
     O grave do assunto não é que as FARC joguem este tipo de ases político-estratégicos em seu intento de ganhar reconhecimento político nacional e internacional, conseguir embaixadas em Caracas, Quito, Havana e Manágua, ao mesmo tempo com a legitimação de seu movimento político para o qual exigem todas as garantias, mas que o Estado colombiano não tenha estratégia conjunta para ganhar as partidas que há tempo iniciaram.
 
     É inaceitável que em seu afã de não aparecer ante os meios de comunicação como a representação legal de todos os colombianos, o governo nacional tenha se limitado a assumir, como seus antecessores, posições de complexo de inferioridade, permitir as fanfarronices publicitárias de Chávez e das FARC, tolerar a existência de um movimento político afim às FARC e acreditar que em um breve lapso de tempo vai concretizar uma agenda de cinco pontos, em que pese a que descaradamente as FARC exigem a presença de milhares de pessoas em Cuba custeadas pelo fisco colombiano, em mesas paralelas de comitês temáticos sem que isto se tenha limitado desde o princípio.
 
     A emboscada está montada. O horizonte imediato mostra uns negociadores sem preparação nem coerência, e as FARC estruturadas em seus objetivos com base em um plano estratégico apadrinhado por Cuba e Venezuela, com o aval estúpido dos demais que estão chegando como convidados de pedra.
 
     Não se viu por nenhum lado a exigência de reparação às vítimas do narco-terrorismo comunista, nem a responsabilidade penal e política do Partido Comunista, gestor e guia ideológico das FARC, nem as responsabilidades penais dos cabeças das FARC pelos milhares de crimes cometidos contra seus próprios criminosos ou contra a população civil que não os aceita, nem a imersão das quadrilhas das FARC no narco-tráfico, nem o desmascaramento na Colômbia dos personagens públicos que ante a imprensa posam de pacifistas mas que na realidade militam no Partido Comunista Clandestino das FARC, no Movimento Bolivariano das FARC ou nas Milícias Bolivarianas das FARC.
 
     Muito menos o governo foi claro acerca do que vai acontecer com as Forças Militares, pois dada a sinuosidade e lassidão costumeira dos dirigentes políticos colombianos, na hora de assumir responsabilidades penais ou políticas todos os altos governantes da Colômbia lavaram as mãos e transferiram a responsabilidade às tropas.
 
     Exemplos abundam aos montões: fuga de Escobar do cárcere em La Catedral, recuperação do Palácio da Justiça, crimes da UP (União Patriótica), execuções extra-judiciais, nexos com os mal chamados para-militares, etc., etc. Em todos os casos, os dirigentes políticos tiraram o corpo de sua total responsabilidade e transferiram aos militares. Por isso estamos como estamos.
 
    Hoje as FARC acabam de fazer um golaço com a proposta de levar a terrorista holandesa para legitimar sua existência ante o velho continente, enquanto o governo Santos só atina ao egocentrismo triplo de re-eleição, Prêmio Nobel da Paz ou Secretaria Geral da ONU ou, pelo menos, duas das três opções.
 
    A diferença é básica e elementar: as FARC têm estratégia construída desde há vários anos por uma equipe conjunta, e utilizam a propaganda para lucro coletivo. O Estado colombiano carece de estratégia político-estratégica, vai atrás das propostas das FARC e utiliza a propaganda para exaltar a imagem do presidente de turno, neste caso, com obsessiva reiteração pela imagem vaidosa de Juan Manuel Santos.
 
    Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido
    Analista de assuntos estratégicos
 
 
 
 
 

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